Portugal prepara um novo programa de saúde oral com dados de 2015. O que isso significa para o seu consultório

Se tem consultório, conhece a cena de cor. O paciente senta-se na cadeira pela primeira vez em oito anos, com uma dor que já dura há três meses, e o plano de tratamento que sai dali não é uma restauração, é uma reconstrução. Toda a gente na profissão sabe que isto acontece todos os dias. O que quase ninguém consegue dizer é quantas vezes acontece em Portugal, porque ninguém mediu.

O último retrato da boca dos portugueses tem mais de uma década

A Direção-Geral da Saúde tem quatro grandes levantamentos epidemiológicos das doenças orais. O primeiro inquérito nacional é de 1983 e 1984. Seguiram-se o estudo da cárie dentária em 2000, o Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais em 2005 e 2006, e o III Estudo Epidemiológico Nacional em 2015.

A trajetória é boa e vale a pena reconhecê-la. O índice CPOD aos 12 anos passou de 3,8 em 1983 para 2,95 em 2000, depois 1,48 em 2005 e 2006, e 1,18 em 2015. A escovagem noturna aos 12 anos subiu de 51 por cento em 2006 para 87 por cento em 2015. Trinta anos de saúde escolar e de fluoretação deram resultado mensurável.

O problema é a data do último ponto dessa linha. 2015. As crianças medidas nesse estudo têm hoje mais de vinte anos. Qualquer afirmação sobre o estado da saúde oral em Portugal em 2026 é, no melhor dos casos, uma extrapolação a partir de dados recolhidos antes da pandemia, antes da inflação dos últimos anos e antes das alterações no acesso a cuidados que se seguiram.

E há um buraco ainda maior do que a data

Repare no que estes estudos medem: crianças de 6, 12 e 15 anos. É a população certa para avaliar programas escolares, e é também a população que menos precisa de si em cadeira. O adulto de 45 anos com doença periodontal instalada, o portador de implantes com peri-implantite a começar, o idoso polimedicado com xerostomia que lhe destrói a dentição em dois anos, nenhum destes aparece nos números nacionais.

Ou seja, a parte do problema que enche a sua agenda e sustenta a sua facturação é precisamente a parte que o país nunca quantificou.

O novo programa nacional e as críticas que já lhe são feitas

Neste contexto foi anunciado um novo Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral, com o objetivo de reduzir a prevalência das doenças orais. O Sindicato dos Médicos Dentistas do Serviço Público veio públicamente apontar fragilidades que vale a pena conhecer, porque descrevem o terreno onde o seu consultório vai operar nos próximos anos.

A primeira crítica é a que já vimos: promete-se reduzir a prevalência sem um estudo epidemiológico nacional atualizado. Sem linha de base, não há forma honesta de dizer no fim se o programa funcionou.

A segunda é de governação. O sindicato critica um modelo de coordenação que mantém os médicos dentistas afastados das funções de liderança das decisões clínicas.

A terceira é a mais concreta e a mais difícil de rebater. Falamos de vários milhões de cheques-dentista por utilizar, de dezenas de consultórios equipados que estão parados por falta de contratação, de profissionais em regime de recibos verdes e da ausência de uma carreira de medicina dentária no SNS. Como resume o sindicato, sem profissionais não há programa que funcione.

O que isto muda para quem tem consultório privado

Há uma leitura pessimista, que é a do costume, e há uma leitura útil. Fico pela segunda.

A prevenção vai ser tema público, e isso é tráfego

Sempre que um programa nacional de saúde oral entra na agenda mediática, as pesquisas por prevenção, gengivas e cárie sobem. Quem tiver conteúdo e protocolo prontos apanha essa onda. Quem só reagir quando o vizinho já está a comunicar, chega tarde.

O adulto é o segmento por servir

Se os dados nacionais param nos 15 anos e os programas públicos se concentram nas escolas, o adulto com doença periodontal fica entregue ao setor privado. É aí que está o volume e aí que está a manutenção recorrente, que é a receita mais previsível que um consultório pode ter.

A manutenção em casa entre consultas é a parte que a maioria das clínicas ainda deixa ao acaso. Um protocolo de higiene oral prescrito, com produto nomeado e explicado, muda a adesão. É a lógica da gama blue®m de oxigénio ativo, pensada para tecidos moles comprometidos, pós-cirurgia e manutenção periodontal, e não para substituir a escovagem de toda a gente.

Implantes exigem um plano para os vinte anos seguintes

Cada implante que coloca hoje é um tecido peri-implantar que alguém vai ter de manter durante décadas. A peri-implantite não está nos estudos nacionais, mas vai estar na sua agenda. Vale a pena fechar o ciclo desde o início, do sistema de implantes ao protocolo de manutenção doméstica que entrega ao paciente no dia da cirurgia. Pode ver a nossa abordagem em implantologia Dentis.

Três coisas concretas para fazer esta semana

  1. Ver quantos pacientes seus não voltam há mais de dois anos. É uma consulta ao software de gestão e demora dez minutos. Essa lista é o seu próprio estudo epidemiológico, e é mais atual do que o do país.
  2. Escrever o seu protocolo de manutenção periodontal em uma página. Que produto, com que frequência, durante quanto tempo, e o que fazer se sangrar. Se não couber numa página, o paciente não o vai cumprir.
  3. Decidir o que diz sobre cheques-dentista. Vai recebê-los, não vai, ou encaminha? Com milhões por utilizar, esta pergunta vai chegar ao balcão.

Perguntas frequentes

Qual é o estudo mais recente sobre saúde oral em Portugal?

O III Estudo Epidemiológico Nacional das Doenças Orais, de 2015, que registou um índice CPOD de 1,18 aos 12 anos e 87 por cento de escovagem noturna nessa idade. É o último levantamento nacional publicado pela Direção-Geral da Saúde e cobre apenas crianças e adolescentes.

Porque é que não há dados nacionais sobre a saúde oral dos adultos?

Os levantamentos nacionais foram desenhados para avaliar programas de saúde escolar, por isso amostram idades-chave de 6, 12 e 15 anos. Doença periodontal do adulto, peri-implantite e edentulismo nunca tiveram um estudo nacional equivalente e regular.

O oxigénio ativo substitui a escovagem ou o destartarízo?

Não. É um coadjuvante de manutenção, indicado sobretudo em tecidos moles comprometidos, pós-cirurgia e acompanhamento periodontal. A escovagem, o controlo de placa interproximal e as consultas de manutenção continuam a ser a base de qualquer protocolo.

Onde entramos nós

A Fibrion Health Solutions distribui em Portugal as marcas com que muitas clínicas montam este ciclo completo, da higiene oral à implantologia. Se está a rever protocolos de manutenção ou a repensar o que entrega ao paciente depois da cadeira, veja a gama de higiene oral ou fale connosco através da página de contactos. Respondemos com condições, amostras e apoio na construção do protocolo.

Fontes: Direção-Geral da Saúde, Estudos Nacionais de Prevalência das Doenças Orais. Sindicato dos Médicos Dentistas do Serviço Público, comunicado sobre o Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral.